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O dia em que atropelei a cerca

Decidida a viver uma aventura off road, fui conferir o passeio de quadriciclo no Alpen Park, na Serra Gaúcha. Mas a aventura nem tinha começado e eu já tinha dado perda total na brincadeira. A saída foi curtir da garupa

Por Fabíola Brites

Cheguei ao Alpen Park decidida a viver uma aventura off road. Distante três quilômetros da Catedral de Pedra de Canela, o lugar tem 60.000 m² de área verde e oferece, entre as atrações, passeio de quadriciclo pela mata, motivo da minha visita.

O acesso ao parque é gratuito, apenas o estacionamento é cobrado, e o visitante paga pelas atrações que usufruir. Dá para ficar observando a vista do mirante ou acompanhando as reações das pessoas nas atividades mais radicais, como a tirolesa.

Para quem curte adrenalina, a montanha-russa que alcança velocidade média de 55km/h e altura de 15 metros é outra opção. O passeio de quadriciclo sai de hora em hora, e o trajeto demora cerca de 40 minutos, dependendo da habilidade dos condutores.

Ele é feito em um modelo Yamaha Grizzly 350 automático sem marcha e tração 4X4. Não precisa ter habilitação, basta ser maior de 18 anos e passar no teste antes de o roteiro começar. Quem é reprovado recebe o valor do ingresso de volta.

No meu grupo éramos apenas eu pilotando meu quadriciclo e um casal – ele conduzindo. Há passeios em que o comboio sai com até sete veículos, sempre com um guia na frente.

Antes de colocar o capacete, assistimos a um vídeo que mostra a trilha e as dificuldades que enfrentaríamos. Para quem dirigiu pela BR 116 para chegar até a região das hortênsias, parecia barbada. Mas não foi bem assim.

Já no teste começou o friozinho na barriga. Eu quis saber do avaliador Leandro Vieira se quem pilota moto leva vantagem, e ele garantiu que não. “Até atrapalha. É melhor que nunca tenha pilotado, pois aprende mais fácil”, esclareceu o supervisor da Apoema Ecoturismo.

Respirei mais aliviada e passei no teste. Meu colega também foi aprovado, embora tenha precisado da ajuda do instrutor em uma manobra. Seguimos para a largada e o friozinho continuou ali. Todo o passeio é filmado. Há câmeras nos quadriciclos e a do guia vai registrando o grupo.

Partimos de uma área que cruza o estacionamento para entrar na mata. Foi só eu sair do local dos carros para enfiar o quadriciclo em uma cerca. Entrei de um jeito em um brete que foram necessários três funcionários para tirá-lo dali.

Meu parceiro nem tinha conseguido acessar a pista e eu já tinha dado perda total na brincadeira. Até que alguém sugeriu que eu fizesse o passeio na garupa do guia. Foi a salvação da lavoura! Aproveitei o trajeto curtindo a natureza, conversando com o guia e admirando a paisagem.

O local é muito bonito, passamos por ponte em cima de rio, sob a mata fechada e bem próximo a uma queda d’água. Durante o percurso, o guia Paulo Marcelo Martins ainda teve de auxiliar o casal a superar alguns obstáculos, mas tudo dentro do previsto.

Mais tarde fui saber que a estudante de engenharia de produção Camila Spinace e o militar Lucas Eduardo da Silva, ambos de 19 anos, que estavam em viagem de lua de mel, haviam combinado de revezar a condução. Acho que não fui um bom exemplo para a jovem, que completou o trajeto todo na carona.

Mas, pelo jeito, sou exceção. Elas costumam fazer bonito pilotando os quadriciclos, conforme o supervisor Leandro. “Tem mulher que dirige bem!”, disse ele. Já eu vou ter que treinar mais um pouco.

* Este texto foi publicado originariamente no site Autos Giros, do qual a autora é fã e onde manteve a coluna Única Dona. Para quem quiser saber tudo sobre o mundo automotivo, recomendo dar uma passada por lá.

Passeio de quadriciclo no Alpen Park

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