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Motivos para ver “A Vida e a História de Madam C.J. Walker”

Minissérie em quatro episódios, “A Vida e a História de Madam C.J. Walker”, da Netflix, conta a trajetória da primeira americana negra milionária. No momento em que #blacklivesmatter é assunto em pauta, a trama aborda questões que precisam ser enfrentadas e, só por isso, já merece ser assistida.

A atração faz um recorte temporal na vida e no protagonismo de Madam C.J. Walker, nascida Sarah Bredlove (1867-1919), interpretada por Octavia Spencer. Baseada na biografia que A’Lelia Bundles escreveu de sua trisavó, a produção recebeu questionamentos por não ser uma representação fiel dos fatos.

Independente do que é verdade ou foi alterado para atrair audiência, chama a atenção a história da negra, que nasceu logo após o fim da escravidão nos Estados Unidos, e construiu um império vendendo produto para cabelo das mulheres afrodescendentes.

Octavia Spencer
O começo de um império vendendo produto para cabelo de mulheres negras em uma feira. Fotos: Reprodução

Entre os problemas do roteiro, sequências que misturam fantasia, como uma cena de luta de boxe, logo no começo, podem desmotivar, mas vale a pena seguir adiante para conhecer a protagonista e o contexto em que viveu, o que torna seu feito ainda mais notório.

Mulher, negra, pobre, quase careca, o que afeta sua autoestima, e gorda, Sarah surge deixada pelo marido. Ao receber ajuda de Addie, personagem que é uma alusão a Annie Malone, redescobre a autoconfiança. A relação entre Sarah e Addie, vivida por Carmen Ejogo, é uma das críticas à produção.

As duas não teriam sido rivais, como a minissérie mostra, mas adversárias, vivendo em cidades diferentes. Na trama, o roubo da fórmula do produto de cabelo que deixou Madam C.J. milionária coloca as duas em oposição o tempo todo, transformando Addie em uma vilã atrás de vingança.

Roubo da fórmula do produto de cabelo que deixou Madam C.J. milionária motiva rivalidade feminina

Competitividade entre mulheres e o colorismo, discriminação com base na cor da pele, fazendo com que pessoas da mesma raça discriminem umas às outras, são algumas das questões. Assim como o tratamento dos negros a suas mulheres, que reproduz o que eles próprios recebem dos brancos.

“Não vim fazer sanduíches, vim fazer negócios.”

Em uma sociedade em que o linchamento de negros ainda era comum, a cena da reunião na Liga Nacional de Negócios Negros mostra a dupla discriminação que as mulheres negras sofriam: dos brancos, por serem negras, e dos próprios maridos negros, por serem mulheres e terem de se contentar em serví-los e ficarem na cozinha.

Única mulher em reunião de empresários negros, Madam C.J. enfrentou duplo preconceito

As questionáveis distorções na adaptação da obra que conta a história da primeira negra milionária dos Estados Unidos, que está no Livro dos Recordes, e os exageros do roteiro comprometem a qualidade da minissérie, mas não tiram o mérito de trazer para 2020 a memória do feito da protagonista.

Quando ainda se fala na necessidade de combater o racismo e qualquer tipo de preconceito, “A Vida e a História de Madam C.J. Walker” nos faz refletir sobre o tanto que precisamos evoluir. A desconfiança e o descrédito que ela teve de enfrentar não são muito diferentes dos que ainda existem para muitas mulheres e homens. É bem verdade que já demos alguns passos, mas, como diz a protagonista: “precisamos trabalhar pesado, ser mais inteligentes e sonhar alto”.

Por Fabíola Brites

Frases do filme

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