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Futebol feminino gaúcho: como tudo começou

O futebol feminino gaúcho nasceu forte na várzea de Porto Alegre. Nos anos 1980, o Vasco, na Vila Safira, quase na divisa com Viamão, teve uma equipe aguerrida. A imagem que abre este texto é um dos poucos registros da época.

Aos domingos, a diversão, para homens e mulheres, eram os jogos do time que, claro, começou com o masculino, em várias categorias.

Equipe do Vasco, da Vila Safira, em Porto Alegre, nos anos 1980. Em cima, a partir da esquerda: José Carlos, Sandra, Vera, atleta que a dona da foto ainda não conseguiu identificar, Geísa, Ana, Sandra e Rosa. Abaixo: Nira, Maria, Rosângela e Elaine. Foto: Reprodução

As mulheres iam ao campo para acompanhar seus filhos, maridos, irmãos, amigos e, no início da década, passaram a jogar também.

Peleja para encontrar adversárias

As dificuldades eram muitas. Para começar, quase não havia adversárias, poucas equipes tinham times de mulheres.

Grêmio e Inter eram as equipes melhor preparadas. Em um dos confrontos, em um campeonato realizado nos campos que ficavam onde hoje é o BarraShopping, as gurias do Vasco levaram o que costumávamos chamar de vareio de bola. Foram algo tipo 20 gols a zero. O resultado foi tão traumático que é compreensível o esquecimento.

Bem, a esta altura já dá para perceber que este texto é escrito por uma ex-jogadora. Ou melhor, ex-aspirante a jogadora, porque o banco de reservas era o lugar em que mais atuou.

Perrengues para treinar

Mas, voltemos aos perrengues que as mulheres enfrentavam nos anos 1980 para jogar futebol na capital gaúcha. Antes, porém, uma constatação importante: o time feminino do Vasquinho surgiu com apoio dos homens.

Como a maioria das atletas acompanhavam os jogos de seus familiares, a formação de uma equipe feminina foi algo natural.

Ao combinarem jogos com outros times para as disputas de finais de semana, quando eram feitas excursões para levar jogadores e torcida, a direção do time procurava saber se o adversário tinha equipe feminina para disputar.

Os treinadores, em geral, ou eram o marido de uma, ou o irmão de outra, enfim, eram sempre conhecidos, muitas vezes integrantes do primeiro quadro ou dos veteranos do time.

Outra dificuldade era organizar os treinos. Como todas trabalhavam ou estudavam, sobravam apenas os sábados à tarde.

Piás à beira do gramado

Quase sempre os filhos ficavam à beira do gramado. Enquanto umas jogavam, outras pessoas cuidavam das crianças. De vez em quando, algum piá chorava pedindo pela mãe, outro levava uma bolada, mas a gente se divertia pra caramba.

A qualidade da reprodução é baixa, mas vale o registro do time feminino do Vasco na Vila Safira, em Porto Alegre, na década de 1980. A imagem foi feita no antigo campo do Vasquinho. Foto: Reprodução

 

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