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“Aceitar o próprio corpo é tirar venda dos olhos”

Após passar anos tentando se enquadrar nas exigências do mercado da moda e sofrendo para manter o peso, modelo se assume como plus size, cria vaga de trabalho e ajuda a impulsionar mercado.  “Não é teu peso que vai fazer tu seres menos ou mais que outra pessoa.”

Por Fabíola Brites

Loira, de olhos claros, sorriso cativante, cabelo e pele lindos, Daiana Ditrich  tentou por anos se encaixar nos padrões das agências de modelo. Mas manter-se magra, para ela, era motivo de sofrimento.

Como resultado, as oportunidades não apareciam. Bastou assumir o manequim 46 que o corpo de 1,72 metro insistia em vestir para os trabalhos surgirem. No fim de 2017, participou da novela “Pega Pega” e estrelou um ensaio sensual.

A participação na atração da Globo foi parte do prêmio que conquistou ao vencer a primeira edição do concurso Modelo do Rio Grande do Sul Plus Size. A disputa foi um divisor de águas na vida da moradora de Bom Princípio.

Tanto que após a premiação passou a receber convites para posar para fotos. Uma grife que confecciona tamanhos grandes e que tem fábrica a poucos metros da casa da modelo, mas não sabia do trabalho dela até então, a convidou para desfilar para lojistas.

“A loja tinha modelo magra para vestir roupa de magra, mas plus não.” Ao ser chamada para vestir as peças para lojas que compram roupas para pessoas que vestem além do G, Daiana criou uma vaga.

“E está ajudando a criar um mercado”, diz a empresária Adriana Falcão, dona de uma loja de aluguel de roupas de festa que escolheu Daiana para ser garota-propaganda.

A Pura Seda, para a qual a jovem modelo fez um dos seus primeiros trabalhos, tem trajes para todos os tamanhos, porém, é no público plus size que mais encontra clientes, muitos deles que enfrentavam dificuldades para achar opções para quem está fora do padrão.

Mais do que o ganho profissional, foi na vida pessoal que Daiana teve conquistas. Ao conviver com as demais participantes do concurso e saber que outras pessoas passavam pela mesma dificuldade que ela para aceitar o próprio corpo, muita coisa mudou.

“Foi como tirar uma venda dos meus olhos. Pensei: vou começar a me aceitar do jeito que sou. Não adianta ficar insistindo naquilo que não vai mudar.” Saber de histórias de jovens que tiveram depressão por causa da forma física e conseguiram superar a doença lhe deu forças para enfrentar a batalha.

Uma luta travada diariamente. É comum alguém que está acima do peso não querer sair de casa para não ouvir críticas na rua. Mas, e quando as críticas vêm de dentro da própria casa, de pessoas que mais amam?

Daquelas que, querendo ajudar, indicam uma estrada árdua demais e muitas vezes quase impossível para o outro? Como se insistissem para seguir por um caminho que, para muitos, parece fácil, mas que, com os calçados alheios, não vai dar em nada além de tristeza.

Filha de mãe magra, Daiana tenta responder às perguntas acima todos os dias. “No concurso, ela até me apoiou, mas não quer que eu siga trabalhando nisso”, diz a modelo que pretende investir cada vez mais na carreira.

Para aquelas que ainda sofrem com a opinião dos outros, Daiana reluta em dar conselhos. Diz que cada caso deve ser analisado de forma individual e que a saúde deve estar em primeiro lugar.

“O importante é sentir-se bem, usar o que gosta. Não querer forçar uma roupa ou estilo que não a deixe à vontade. E pensar que tu podes, que tu és como qualquer outra. Não é teu peso que vai fazer tu seres menos ou mais que outra pessoa.” Se não deu conselho, pelo menos mostrou o caminho que segue. E está feliz com o rumo que tomou.

Galeria de fotos: Daiana Ditrich

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